Desabafo contra a copa e contra as manifestações

A COPA

Há mais de 30 anos que boicoto as copas. Desde a adolescência percebi que o futebol é o ópio do povo, assim não torço e acompanho futebol. Como se fala muito de futebol no Brasil e pessoas do meu convívio torcem para algum time, através delas sei o que está acontecendo. Mas nas conversas costumo dar minha receita futebolística para os torcedores: escolha um lado do campo e torça apenas para esse lado. Assim, você relativiza sua paixão…

São vários motivos que me levam a detestar o futebol:
– a paixão futebolística cega o discernimento político;
– desperdício individual de tempo;
– desperdício coletivo de dinheiro;
– corrupção no futebol: árbitros e justiça muitas vezes recebem propina;
– não utilização da tecnologia televisiva para resolver lances polêmicos (culpa da Fifa);
– salários milionários, desproporcionais em relação ao retorno social;
– violência no campo (excesso absurdo de faltas);
– simulação de faltas;
– violência fora do campo, entre torcidas;
etc.

Em conclusão, talvez poucas pessoas nesse país sejam tão contrárias à copa no Brasil quanto eu.

AS MANIFESTAÇÕES

E as manifestações, estou de acordo? Primeiramente, vou caracterizar as manifestações ocorridas no ano passado, na copa das confederações, como manifestações violentas e anárquicas. De qualquer forma,  quaisquer manifestações contrárias à realização da copa no Brasil, em 2013 e 2014, ocorreram e ocorrem no momento errado. Estão atrasadas. Deveriam ter sido feitas antes da escolha do Brasil para sediar a copa, em 2007.

Do ponto de vista financeiro nacional, as  manifestações que começam a apontar em 2014 são completamente ilógicas. Se se gastou 100 bilhões com estádios e infra-estrutura, não seria agora o momento de recuperar parte do capital investido. A riqueza gerada pelo turismo da copa compensaria parte do prejuízo. O dinheiro arrecadado poderia ser reinvestido em saúde, educação, segurança etc.

Mas os manifestantes não conseguem enxergar isso, por quê? Falta-lhes discernimento?

Antes de tentar responder, é necessário fazer uma pergunta crucial: quem ganha com as manifestações?

Quando se tem um homicídio, cujo autor não é conhecido, todos sabemos a forma mais simples de se achar o culpado. Quem será beneficiado? Naturalmente, existem múltiplas variáveis e conjunturas, mas descobrir a lógica por trás do crime normalmente traz a solução.

Assim, voltando à pergunta acima, quem ganha com as manifestações? Se a copa for um fiasco, se houver violência nas ruas, destruição do patrimônio público e privado, um caos for instaurado, quem será premiado? Vejam, existe toda uma gradação de consequências possíveis em relação às manifestações…

Tenho um hipótese para responder essa pergunta. Na minha singela opinião as manifestações são a conjunção nefasta de interesses político-partidários elitistas com leviandade coletiva.

De um lado temos a oposição: PSDB, em primeiríssimo lugar, seguido pelo PSB e partidos de direita. De outro lado, temos uma multidão anárquica de jovens despolitizados, revoltados, mas sem bandeiras. Ou poderia dizer com muitas bandeiras.

Em relação à oposição, me lembra a visão de um trotkista que conheci: quanto pior melhor, pois estaremos à beira da revolução. Infelizmente, a oposição elitista brasileira está longe da tomada do poder pela democracia. São representantes de uma minoria abastada, que não aceita governos para a maioria. Têm o controle da grande mídia e de parte da Justiça. Combatem políticas de distribuição de renda como bolsa família e médicos para todos, lutam com unhas e dentes pela manutenção e ampliação de privilégios, objetivando concentração de poder. São maquiavélicos…

Também suspeito que, através das redes sociais, indivíduos partidários da oposição fomentem as manifestações violentas. Como dito, nada melhor para a oposição que o caos.

Em relação à maioria dos manifestantes, me perdoem, acredito que estejam completamente desnorteados. Tornou-se “da onda” manifestar contra a copa. Sem medir as consequências… E acabam fazendo, em grande parte, o triste papel de meros instrumentos nas mãos de poderosos interesses político-partidários. Manifestações “apolíticas” , sem vinculação partidária aparente, não estão imunes ao comprometimento partidário. Quaisquer manifestações, notadamente aquelas violentas, produzem consequências políticas. Não tem como serem apolíticas.

SOLUÇÕES

Concordo inteiramente que o Brasil precise mudar (ou continuar mudando): mais saúde, educação, segurança, transporte descente etc. Mas a repetição de manifestações violentas, tipo adotado no ano passado, na copa das confederações, é a solução? Fechamento de ruas e desrespeito ao direito de ir e vir das pessoas, destruição de lojas, repartições públicas e marcos históricos trouxe qual resultado?

Qualquer manifestante que intencionalmente cause impedimento ao trânsito de veículos, desrespeita um direito fundamental das pessoas. Os mais prejudicados são os mais pobres, passageiros de ônibus e moradores da periferia. Com certeza, esse tipo de manifestação não ganha a simpatia dessas pessoas. Ademais, como mudar um país, desprezando a liberdade dos outros. Lembrem-se, o meio e o fim são um.

Em termos concretos, sugeriria primeiramente à Senhora Dilma que se comprometesse a fazer um plebiscito sobre a realização das Olimpíadas no Brasil, juntamente com as próximas eleições. Assim, deixaria a cargo do povo decidir. Caso o NÂO vencesse, evitar-se-ia mais desperdício de gastos.

Segundo, durante a realização da copa, existem formas mais avançadas de manifestar-se:
– tarja preta no braço contra os gastos com a copa;
– realização de encontros independentes, ao ar livre, para discutir os rumos do Brasil e propor soluções;
– montagem de tendas temáticas, por ONGs, próximo dos estádios;
– panfletagem (real e via internet);
– realização de manifestações pontuais pacíficas, organizadas por instituições e ONGs;
Etc.

Enfim, manifestações contra a realização da copa em 2014 são totalmente anacrônicas, Tenho certeza que formas pacíficas de manifestar, com foco nos problemas nacionais, organizadas por instituições e ONGs, surtiriam muito mais resultado, que manifestações anárquicas. Ademais, evitaria que as manifestações tomassem rumos violentos.

O Brasil será o foco do mundo. Manifestar-se pacificamente e com inteligência demonstraria o nosso potencial e o poder de nossa democracia.

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