Impeachment de Dilma e os "ses"

Se o governo petista tivesse democratizado a mídia brasileira ou investido pesadamente em mídias alternativas (internet) com vistas a pluralizar a imprensa;

Se em 2012, na copa das confederações, o governo petista tivesse se sensibilizado com as manifestações;

Se, em 2013, o governo petista tivesse apoiado as  manifestações estudantis, fomentado a organização dos movimentos, comprometendo-se a levar adiante suas reivindicações;

Se, em 2013, o PT não tivesse, juntamente com os governos estaduais do PSDB e PMDB, reprimido as manifestações estudantis;

Se, diante das manifestações populares seguidas, o governo petista tivesse escutado o povo, como alertaram vários pensadores, como a querida Marilena Chauí;

Se Dilma não tivesse sido candidata do PT para as eleições de 2014, mesmo contra a vontade das bases do partido;

Se Marina tivesse vencido as eleições;

Se, após eleita Dilma, o governo petista se comprometesse a não lançar candidato a eleições para presidente em 2018;

Se, Lula, tivesse encerrado sua carreira política;

Se, no início das manifestações favoráveis ao impeachment, Dilma se comprometesse a realizar plebiscito sobre a continuidade de seu governo ou realizar novas eleições para presidente, junto com as eleições municipais de 2018;

São muitos “ses”, os quais denotam distanciamento do governo petista em relação a opinião pública, apego ao poder e extrema falta de sensibilidade política coletiva. Caso qualquer deles tivesse se concretizado, não estaríamos vivendo esse impeachment.

Não sei o desfecho do processo de impeachment, porém mesmo que não seja vencedor, o governo Dilma não tem sustentabilidade para continuar. O que fazer? Dilma deve chamar eleições presidenciais para outubro desse ano. As questões legais devem submeter-se à Ética, Democracia e vontade popular. Alternativamente, Dilma poderá propor plebiscito sobre a continuidade do seu governo, comprometendo-se a renunciar caso o “NÃO” seja vitorioso. Trata-se da única saída verdadeiramente democrática. E se a oposição não apoiar essa saída ficará ainda mais patente sua posição anti-democrática.

Caso, o impeachment seja vencedor, quem serão os beneficiados? As apurações de corrupção, que atingem políticos de oposição, irão continuar?

Infelizmente, o maior resultado será a redução da publicidade sobre as investigações do Lava Jato e outras quaisquer. Com isso, a Justiça ficará ainda mais livre para exercer a seletividade que mais lhe convier e que mais agradar aos novos governantes. E os velhos esquemas de corrupção persistirão.

A favor ou contra o impeachment, devemos refletir. Sem Democracia e Justiça, o que esperar dessa país?

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