Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães – Lava Jato

Transcrevo abaixo parte da entrevista do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães à Revista Carta Capital, copiada por Leonardo Boff, Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: os USA imiscuídos na política brasileira, pela qual percebemos que a operação Lava a Jato transformou-se, acima de tudo, em instrumento de subdesenvolvimentismo brasileiro e perseguição ideológica.

Triste ver que, enquanto da classe baixa é retirado o sonho de ascensão social, a classe média se deixa levar pela pseudo retórica moralista e aplaude o cortejo de seu próprio enterro. Esses últimos, quando acordarão? Quando os valores da aposentadoria minguarem, quando aos filhos faltar emprego intelectual, quando as desigualdades e conflitos sociais crescerem?

A questão não é deixar de combater a corrupção, mas combatê-la em todos os partidos e empresas, inclusive transnacionais. Ademais, combate à corrupção não deve significar destruição da iniciativa privada nacional. É preciso um esquerdista dizer isso?

O Senhor enxerga interesses geopolíticos por trás da Operação Lava Jato?

SPG: O fato de haver interesses geopolíticos atrás da Operação Lava-Jato é importante, porém mais relevante é procurar identificar as consequências geopolíticas para o Brasil e para seu projeto nacional.

O projeto nacional brasileiro tem as seguintes características:

• Construir uma economia moderna industrial capitalista;

• Construir um sistema de defesa, de natureza dissuasória, através do programa do submarino nuclear e da expansão da indústria aeronáutica e espacial;

• Construir gradualmente, através da ação do Estado, um sistema econômico e social menos desigual em termos regionais, de renda, de etnia, de gênero etc.;

• Desenvolver uma política externa soberana com os seguintes instrumentos e objetivos:

• articular um bloco político sul americano, a UNASUL;

• articular um bloco latino-americano, a CELAC;

• fortalecer um bloco regional na América meridional, o Mercosul;

• desenvolver relações políticas e econômicas com todos os países, sem prejulgar seus regimes políticos, econômicos e sociais;

• reformar os organismos internacionais, em especial o Conselho de Segurança da ONU e os organismos financeiros como o FMI, para conquistar para o Brasil a possibilidade de maior participação e defesa de seus interesses;

• articular alianças com os grandes Estados da periferia, como o IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Estes objetivos confrontam profundamente os interesses dos Estados Unidos e das potências a eles aliadas, ou mesmo não aliadas como é o caso da China e da Rússia.

A nenhuma Grande Potência, isto é aos membros permanentes do CSNU, às potências nucleares e missilísticas e às grandes potências econômicas como o Japão e a Alemanha, interessa o surgimento de uma nova potência, isto é de um Estado de fato autônomo e soberano pois isto prejudica seus interesses de obter acesso a todos os mercados produtivos e financeiros e às vias de acesso a mercados na disputa permanente por uma parcela maior da riqueza e do poder político e militar mundial.

A ação geopolítica externa se desenvolveu da seguinte forma:

• como se tornou público e reconhecido pelo Governo americano, a NSA (National Security Agency) há décadas monitora e grava todas as comunicações eletrônicas entre todas as pessoas no mundo, em especial as lideranças, como foram monitorados e gravados os aparelhos celulares de Angela Merkel e Dilma Rousseff, e as principais autoridades de todos os Governos e tais informações podem ser repassadas a suas megaempresas e servem para sua política externa;

o Juiz Sergio Moro, como muitos dos procuradores da Operação Lava Jato, foi treinado em programas especiais, patrocinados pelo Governo americano, e mantem permanente contato com as autoridades americanas;

• o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) é um poderoso instrumento contra as empresas estrangeiras que competem com as megaempresas americanas no mercado mundial, isto é no mercado de cada país;

o Governo americano, através do Departamento de Justiça e do FBI, através de acordos, fornece informações à Polícia Federal e aos Procuradores do Ministério Público para auxiliar suas investigações.

Neste contexto, a Operação Lava Jato tem importantes consequências geopolíticas, e colabora para os objetivos das Grandes Potências, em especial dos Estados Unidos, pelas seguintes razões:

• abala a autoestima da sociedade brasileira, convencida pela mídia de sua corrupção intrínseca e excepcional;

• contribui para afetar o prestígio político dos partidos de esquerda e progressistas em geral;

• afeta o prestígio e a capacidade de articulação do Brasil na América Latina e, em especial, na América do Sul;

• contribui para desarticular a aliança política entre os Estados da América do Sul (UNASUL) e da América Latina (CELAC);

• corrói o prestigio político e econômico brasileiro na África ocidental;

• corrói a posição do Brasil nos BRICS e nas Nações Unidas

• desarticula e destroça as grandes empresas brasileiras do setor de construção e de engenharia pesada que eram altamente competitivas;

• abre o mercado brasileiro, onde deixa de haver concorrência de empresas locais, para as megaempresas internacionais de construção de grandes obras de infraestrutura, mercado que é estimado em mais de um trilhão de reais.

• contribui para desacreditar o BNDES como agência de financiamento da política comercial brasileira;

• ao desmoralizar o Estado, contribui para o projeto de redução ao mínimo do Estado brasileiro, principal instrumento capaz de vencer os desafios do desenvolvimento, da soberania e das desigualdades.”

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: os USA imiscuídos na política brasileira

Assoviar é preciso, ser golpista não é preciso

Panelaços, buzinaços e o que vier pela frente, as manifestações políticas reacionárias vão se transformando. O que o progressista deve fazer? Calar-se ou expressar seu desacordo?

Tenho a seguinte sugestão: assoviar. É simples, fácil, acessível. Não faz poluição sonora, não pertuba a lei do silêncio. Apesar dos desafinados, fomenta o respeito ao outro, pois faz pouco barulho. Ah, não me venham com apitaço, assoviar uma música é suficiente, principalmente se forem milhões assoviando. E não precisa ser a mesma música. Você pode até colocar para tocar, no som de casa ou do automóvel, uma música na qual se assovie, mas sem exagerar na altura.

O objetivo é mostrar que a intenção golpista não é unânime. Significa apoiar as instituições democráticas, dentre as quais o voto tem a maior importância. Hoje é difícil pensar em avanço de um país sem respeito à democracia. Os casos de avanço econômico sem democracia não produzem aprimoramento da sociedade.

Fique claro que a proposta de assoviar, nesse momento, não significa apoiar o governo Dilma. Essa manifestação quer dizer: respeito ao governo eleito e às bases democráticas.

Em relação ao governo Dilma, existem formas democráticas de lutar por melhor representatividade, quando ela é questionada. Por ex:
– embate no legislativo. Entretanto, ultimamente, várias propostas absurdas da oposição demonstram descaso com o país e fomento de instabilidade econômica e social.
– impeachment, apenas após processo judicial e transição em julgado, com direito a ampla defesa. Mas apenas tem valor se as denúncias de corrupção forem apuradas de forma irrestrita e igualitária, para todos os partidos;
– realização de plebiscito sobre a continuidade do governo Dilma, juntamente com as eleições municipais;
– antecipação da eleição para presidente ou eleição ampla para presidente, governadores, deputados e senadores, juntamente com as eleições municipais;

Essas 4 alternativas seriam democráticas, embora as 2 últimas exijam negociação política. O que não pode acontecer é impeachment arbitrário, sem base legal, com apuração partidarista, o que representa golpismo.

Apesar de discordar do barulho do buzinaço, devemos ser tolerantes. Essa é a marca de quem é progressista.

Ficamos por aqui. Se você é democrático e anti-golpista te encontro por ai, de coração limpo, assoviando.

Frases:
– Assoviar é preciso, ser golpista não é preciso.
– Golpismo não é necessário, o que é necessáro é Democracia (respeitar a maioria).
– Quem assovia ama a Democracia.

Panelaço dos reacionários – 2019 está chegando…

Para aqueles que fazem panelaço contra o PT, irresponsáveis, anti-democráticos, vejam quem vocês estão seguindo. O PSDB na quase totalidade vota a favor de esconder se os produtos são trangênicos e o PT não. (PL 4148/2008)

A Globo ou Veja não vão divulgar isso:
http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/veja-a-lista-de-deputados-que-derrubaram-a-rotulagem-de-alimentos-transgenicos-4519.html

Quem é corrupto? Quem é contra a liberdade? Quem está cego?

Cada vez mais acredito em um desfecho catastrófico. Apenas Cristo para nos salvar!

A nova era está chegando em 2019, avisou Chico Xavier, e acredito: não haverá lugar para gente anti-democrática, contrária à liberdade e destruidora da natureza. Tucanos e apoiadores se cuidem, seu vôo será curto. E não me digam que não foram avisados.

Desabafo contra a copa e contra as manifestações

A COPA

Há mais de 30 anos que boicoto as copas. Desde a adolescência percebi que o futebol é o ópio do povo, assim não torço e acompanho futebol. Como se fala muito de futebol no Brasil e pessoas do meu convívio torcem para algum time, através delas sei o que está acontecendo. Mas nas conversas costumo dar minha receita futebolística para os torcedores: escolha um lado do campo e torça apenas para esse lado. Assim, você relativiza sua paixão…

São vários motivos que me levam a detestar o futebol:
– a paixão futebolística cega o discernimento político;
– desperdício individual de tempo;
– desperdício coletivo de dinheiro;
– corrupção no futebol: árbitros e justiça muitas vezes recebem propina;
– não utilização da tecnologia televisiva para resolver lances polêmicos (culpa da Fifa);
– salários milionários, desproporcionais em relação ao retorno social;
– violência no campo (excesso absurdo de faltas);
– simulação de faltas;
– violência fora do campo, entre torcidas;
etc.

Em conclusão, talvez poucas pessoas nesse país sejam tão contrárias à copa no Brasil quanto eu.

AS MANIFESTAÇÕES

E as manifestações, estou de acordo? Primeiramente, vou caracterizar as manifestações ocorridas no ano passado, na copa das confederações, como manifestações violentas e anárquicas. De qualquer forma,  quaisquer manifestações contrárias à realização da copa no Brasil, em 2013 e 2014, ocorreram e ocorrem no momento errado. Estão atrasadas. Deveriam ter sido feitas antes da escolha do Brasil para sediar a copa, em 2007.

Do ponto de vista financeiro nacional, as  manifestações que começam a apontar em 2014 são completamente ilógicas. Se se gastou 100 bilhões com estádios e infra-estrutura, não seria agora o momento de recuperar parte do capital investido. A riqueza gerada pelo turismo da copa compensaria parte do prejuízo. O dinheiro arrecadado poderia ser reinvestido em saúde, educação, segurança etc.

Mas os manifestantes não conseguem enxergar isso, por quê? Falta-lhes discernimento?

Antes de tentar responder, é necessário fazer uma pergunta crucial: quem ganha com as manifestações?

Quando se tem um homicídio, cujo autor não é conhecido, todos sabemos a forma mais simples de se achar o culpado. Quem será beneficiado? Naturalmente, existem múltiplas variáveis e conjunturas, mas descobrir a lógica por trás do crime normalmente traz a solução.

Assim, voltando à pergunta acima, quem ganha com as manifestações? Se a copa for um fiasco, se houver violência nas ruas, destruição do patrimônio público e privado, um caos for instaurado, quem será premiado? Vejam, existe toda uma gradação de consequências possíveis em relação às manifestações…

Tenho um hipótese para responder essa pergunta. Na minha singela opinião as manifestações são a conjunção nefasta de interesses político-partidários elitistas com leviandade coletiva.

De um lado temos a oposição: PSDB, em primeiríssimo lugar, seguido pelo PSB e partidos de direita. De outro lado, temos uma multidão anárquica de jovens despolitizados, revoltados, mas sem bandeiras. Ou poderia dizer com muitas bandeiras.

Em relação à oposição, me lembra a visão de um trotkista que conheci: quanto pior melhor, pois estaremos à beira da revolução. Infelizmente, a oposição elitista brasileira está longe da tomada do poder pela democracia. São representantes de uma minoria abastada, que não aceita governos para a maioria. Têm o controle da grande mídia e de parte da Justiça. Combatem políticas de distribuição de renda como bolsa família e médicos para todos, lutam com unhas e dentes pela manutenção e ampliação de privilégios, objetivando concentração de poder. São maquiavélicos…

Também suspeito que, através das redes sociais, indivíduos partidários da oposição fomentem as manifestações violentas. Como dito, nada melhor para a oposição que o caos.

Em relação à maioria dos manifestantes, me perdoem, acredito que estejam completamente desnorteados. Tornou-se “da onda” manifestar contra a copa. Sem medir as consequências… E acabam fazendo, em grande parte, o triste papel de meros instrumentos nas mãos de poderosos interesses político-partidários. Manifestações “apolíticas” , sem vinculação partidária aparente, não estão imunes ao comprometimento partidário. Quaisquer manifestações, notadamente aquelas violentas, produzem consequências políticas. Não tem como serem apolíticas.

SOLUÇÕES

Concordo inteiramente que o Brasil precise mudar (ou continuar mudando): mais saúde, educação, segurança, transporte descente etc. Mas a repetição de manifestações violentas, tipo adotado no ano passado, na copa das confederações, é a solução? Fechamento de ruas e desrespeito ao direito de ir e vir das pessoas, destruição de lojas, repartições públicas e marcos históricos trouxe qual resultado?

Qualquer manifestante que intencionalmente cause impedimento ao trânsito de veículos, desrespeita um direito fundamental das pessoas. Os mais prejudicados são os mais pobres, passageiros de ônibus e moradores da periferia. Com certeza, esse tipo de manifestação não ganha a simpatia dessas pessoas. Ademais, como mudar um país, desprezando a liberdade dos outros. Lembrem-se, o meio e o fim são um.

Em termos concretos, sugeriria primeiramente à Senhora Dilma que se comprometesse a fazer um plebiscito sobre a realização das Olimpíadas no Brasil, juntamente com as próximas eleições. Assim, deixaria a cargo do povo decidir. Caso o NÂO vencesse, evitar-se-ia mais desperdício de gastos.

Segundo, durante a realização da copa, existem formas mais avançadas de manifestar-se:
– tarja preta no braço contra os gastos com a copa;
– realização de encontros independentes, ao ar livre, para discutir os rumos do Brasil e propor soluções;
– montagem de tendas temáticas, por ONGs, próximo dos estádios;
– panfletagem (real e via internet);
– realização de manifestações pontuais pacíficas, organizadas por instituições e ONGs;
Etc.

Enfim, manifestações contra a realização da copa em 2014 são totalmente anacrônicas, Tenho certeza que formas pacíficas de manifestar, com foco nos problemas nacionais, organizadas por instituições e ONGs, surtiriam muito mais resultado, que manifestações anárquicas. Ademais, evitaria que as manifestações tomassem rumos violentos.

O Brasil será o foco do mundo. Manifestar-se pacificamente e com inteligência demonstraria o nosso potencial e o poder de nossa democracia.

Procura-se desenhista e compartilha-se um tesouro de humor

Um poço de charges, assim é minha mente, sempre com imagens de humor. Por isso, procuro desenhista para rabiscá-las. Exige-se apenas certa convergência de idéias. Acredito ser essencial compartilhar o ideal socialista democrático, o qual cultivo, graças a Deus. E não estou sendo irônico. Os ideais direcionam a crítica, assim trata-se de algo relevante.

A princípio abre-se mão das receitas advindas do trabalho, mas não da autoria, que se torna conjunta, quando alguém desenha a idéia de outro.
Há alguns meses, de fato nas eleições de 2010, procurei desenhista, pois tinha muitas idéias de charges. Enviei emails para vários, inclusive com idéias de charges, mas apenas um foi atencioso e me respondeu. Porém, ele não tinha disponibilidade de tempo.
Conjecturando sobre o desinteresse dos chargistas de desenhar charges alheias, cheguei à conclusão de que devem considerar isso ultrajante. Como se seu trabalho fosse rebaixado a mero executor, mão de obra braçal, de plano alheio.
Porém peço que reflitam. A divisão entre quem tem a idéia e quem desenha não é estranha à especialização dos conhecimentos moderna. Também desenhar eventualmente uma charge alheia, não impede que o desenhista tenha suas próprias idéias e as desenhe.
Por fim, talvez tenha procurado a categoria profissional errada. Talvez devesse procurar dentre os puramente desenhistas e não apenas entre chargistas.
Fica ai o convite, lançada página ao vento internético. E, talvez um desenhista procure no Google as palavras certas e encontre um tesouro.